De tudo que já li nas redes sociais, análises tele dramatúrgicas bem escritas em outros blogs no que tange a última novela das seis “Sete Vidas”, tudo já foi dito. O que posso ponderar é essa mobilização do telespectador, nas redes sociais, seja no twitter ou no istagram aparecendo depoimentos “de lágrimas” e saudade porque a novela chegou ao fim na última sexta-feira, 10 de julho.

Duas pérolas da excelente trilha sonora você escuta nos vídeos que trouxe pra cá.

Sete Vidas não foi uma simples “novelinha das 18h”, nem muito menos se passa em um momento qualquer do Brasil. Sete Vidas foi uma obra de arte muito bem escrita por Lícia Manzo (foto) e bem dirigida por Jayme Monjardim.

licia manzoNuma época em que enfrentamos de forma escancarada tanto discurso de ódio nas redes sociais, eis que surge uma novela onde pessoas são mobilizadas à escrever mensagens de amor, identificando-se com as h(y)stórias, com os personagens, com a trilha sonora e muito mais…

Temas para uns um tanto “pesados” foram revelados e desvendados de uma forma sutil e delicada.

Mas, para uma psicanalista, ao assistir Sete Vidas encontrava o primor no texto! Texto com discursos fortes, tensos, porém escritos de forma leve. Textos onde a autora abordava questões sérias sobre a família e seus novos arranjos, mas sem ser pedagógica ou normativa.

Os personagens foram ricos, densos, bons neuróticos atormentados por suas questões. Miguel (Domingos Montagner) interpretava o típico cinquentão atormentando por questões do passado, fazendo-me lembrar um dos textos de Lacan ao redefinir o inconsciente.

Quando Lacan nos diz que o inconsciente é uma invenção e não apenas o retorno do recalcado, como nos afirmou Freud. Lacan chega ao ponto de afirmar que para além do “umbigo” do sonho, o que existe é uma “bomba”!

final novela sete vidas globo

Ao ver Miguel na tela, a sensação nutrida era que Lícia se apropriou da perspectiva Lacaniana para dar vida a esse personagem tão bem interpretado pelo gostoso Domingos Montagner.

O inconsciente é uma invenção na medida em que o neurótico crê no passado que não só viveu, mas continua a vivenciar e acreditar – onde fantasia e realidade se misturam – mas pouco importa para quem esta vivenciando. O neurótico crê na sua verdade criada, inventada. Seja lá qual for essa “criação” é forte o bastante para atordoar seu presente e impedi-lo de seguir a vida.

O que o personagem Miguel consegue fazer é uma trajetória de análise, podendo reescrever sua h(y)stória.

Claro – novela das seis – esse progresso foi acontecendo para o personagem ao longo de três anos e Miguel contou com a ajuda dos filhos para essas mudanças acontecerem. Óbvio, é novela e tinha que ter “happy end” para mulherada chorar de emoção! Porque na vida da realidade, Miguel poderia continuar gozando no sintoma, pegar seu barco e Zarpar! Mas o mulheril ia ficar revoltado!!!! E com toda razão, novela é entretenimento, distração, não precisa ficar assistindo na novela das seis a psicanálise cruel e dura que escutamos em nossos consultórios no dia a dia.

Novela com final feliz nos faz também emergir um dos aforismos Lacanianos; ao final de uma análise temos um inconsciente alegre!!! Então assim seja, já que era o fim… volià! Com o um bom Merlot comemoremos essa bela trama. Escrevo para parabenizar Lícia e toda sua equipe, seja de atores, diretores, produção, trilha sonora, porque Sete Vidas foi …e sempre será… uma obra de ARTE!

novela sete vidas

Written by Clarissa Lago

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